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Terça, 06 de janeiro de 2009 
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Anexando problemas ao seu e-mail Anexando problemas ao seu e-mail

No início era o texto... Tudo começou com a necessidade básica de trocar mensagens escritas com outras pessoas. Os pesquisadores estavam, sentados em seus frios laboratórios, precisando se comunicar com outros pesquisadores, igualmente labutando em seus pesados equipamentos de computação. Para resolver este problema, nascia o correio eletrônico, os protocolos POP e SMTP, "patota" que atende hoje pela alcunha de e-mail.

Para a época, era o suficiente. Meia dúzia de linhas para cada pessoa resolvia o problema. Hoje, que a Internet entrou na adolescência e resolveu mudar o mundo, o texto não ocupa mais o papel principal o deixou para a informação e passou a ocupar o lugar de coadjuvante na comunicação.

Anexado às mensagens eletrônicas, são carregados dezenas de milhares de bytes de informação, não necessariamente em formato escrito, que pipocam de alguns cantos para todos os outros. O que começou com a necessidade de ser transferir uma foto, logo passou a um programa e daí para qualquer gênero de arquivo. Bastava algo habitar as entranhas da máquina para se eleger ao cargo de attachment. Me anexo, logo existo!

Em pouco tempo os programas de correio eletrônico tornaram tão fácil a tarefa de anexar e receber arquivos em mensagens que a própria Internet tropeçou de sobressalto: "Meus usuários não foram devidamente educados para lidarem com essa tecnologia". O uso desenfreado de anexos em mensagens, portanto, criou dois problemas graves...

Ataques diretos ao seu computador

Reza a boa conduta digital não sair por aí clicando em links e baixando programas para seu computador sem se precaver, através da procedência, das intenções do referido. Entretanto, através do e-mail, você não precisa solicitar nenhum arquivo. Eles são despejados em sua caixa-postal.

Puséssemos a mão na consciência, estes arquivos seriam sumariamente eliminados da superfície do nosso agadê mas, no afã diário de clicks e duplos cliques, vez por outra não resistimos e abrimos tais anexos. Podem ser inofensivos, como outrora os eram, mas também podem trazer conteúdos mortais: cartões de natal com um vírus de presente, protetores de tela com cavalos-de-Tróia, fotos de beldades com cobertura de worms e joguinhos inocentes que espionam seu computador.

Muitas espécies desta modalidade de programa têm, tal qual organismos biológicos, o objetivo de se multiplicar e se espalhar pelo mundo, apoderando-se, para isso, do ambiente em que vivem. Seu computador pode, sem que você saiba, estar abrigando uma colônia de códigos digitais e preparando-se para contaminar todo aquele que participar de sua comunicação, especialmente por e-mail.

Computadores infectados podem espalhar vírus e assemelhados sem o menor consentimento do seu amo (ou súdito!) se passando, inclusive, por este ou por outra pessoa, sempre com o intuito de que o destinatário das suas malfadadas mensagens seja ludibriado e infecte seu próprio computador, já que ele, ao receber uma mensagem de uma pessoa amiga que pode até estar jurando, nesta mensagem, que o anexo está livre de vírus, o executará sem nenhuma cerimônia, quando então será tarde. E recomeça o ciclo.

Engarrafamentos da "supervia de informação"

Voltando aos primórdios, quando os pesquisadores estavam felizes, já com suas duas ou três dúzias de texto trocados por e-mails, época em que nem a própria Web existia, as velocidades de transmissão da informação eram altas e eficientes. Pois foi quando então, além da própria criação de "páginas internet", com fotos e arquivos para download, surgiu os anexos em mensagens.

A veloz rede de texto tornou-se uma lenta procissão de arquivos anexos. Era cada vez maior o tempo de espera para se conseguir visitar certos sites ou receber mensagens, até que este martírio forçou o aprimoramento das tecnologias e o investimento em conexões mais velozes.

Quando tudo parecia de volta ao normal, um consenso informal decidiu que já era hora de transferir arquivos maiores ainda, puxando novamente a lentidão na comunicação para um nível perto do inaceitável. Esta batalha até hoje dura e, apesar de cada vez mais informações trafegarem pela rede, isto ainda acontece de forma lenta e penosa.

Precisamos de ética

Em uma balança virtual, onde penduram-se de um lado a facilidade de comunicação e do outro os riscos da interatividade desordenada entre seus usuários, não há culpados, assim como não existe solução mágica para todos estes problemas.

Nos cabe, por enquanto, usar as únicas armas disponíveis contra este mal auto infligido:

· evite abrir arquivos anexos em mensagens, a não ser que o tenha solicitado e verificado com um programa antivírus bem atualizado;

· certifique-se de que seu computador esteja sempre protegido contra programas maliciosos;

· quando responder mensagens grandes, veja se todos os interlocutores têm interesse em receber uma cópia, caso contrário, envie somente a quem interessa;

· ao anexar arquivos nas mensagens, pergunte-se se é realmente imprescindível mandá-lo por e-mail e verifique se este se encontra livre de pestes digitais;

· caso seja necessário o envio de arquivos grandes, solicite primeiro a permissão dos destinatários, informando seu tamanho, formato e conteúdo.

Ao seguir estas simples regras, que mais são regras de etiqueta do que de segurança, eliminamos muitas das mais devastadoras forças de ataque, que usam o que a Internet nos dá de mais poderoso para atacar suas próprias raízes: a comunicação.

Marcos Machado é pós-graduado em redes de computadores e Internet e Analista de Segurança da Módulo Security Solutions.

» Módulo Enviado por Marcos Machado
Postado em 26/12/00 12:00:52, (Segurança)
(http://www.modulo.com.br)

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